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Nutricionista Clínica, esportiva, gestacional e infantil. Consultório em Alphaville (Tel: 4175-9777) há 12 anos, com técnicas bem inovadoras e diferenciadas, focando especialmente no bem estar psicológico e emocional do paciente. Reeducação alimentar associada à Gastronomia para resultados definitivos e uma rotina agradável!

domingo, 16 de abril de 2017

Como sobreviver (feliz) à Páscoa!

Este é um tema que deixa a maioria das pessoas confusas, então vou reeditar este post, mais uma vez!
Você está em plena dieta há um mês, um ano (ou desde sempre - rs) e de repente chega a Páscoa. A pergunta que não quer calar é: "E agora, o que eu faço?" Afinal você vem fazendo um bom Programa alimentar, atividade física, não quer engordar e ao mesmo tempo não quer ficar sofrendo neste feriado, certo?
Vou passar algumas dicas que, sem dúvidas, tornarão a tarefa muiiito mais fácil.

1- A primeira coisa é: se presenteie com um pequeno presente de Páscoa sim! O mesmo vale para as crianças. Todos os anos fico assustada com a quantidade de posts que vejo recriminando quem vai comer ovos de Páscoa. Este terrorismo nutricional não vai levá-lo a lugar algum! A Reeducação Alimentar é o que funciona à longo prazo, então vamos pensar em atitudes que seriam razoáveis manter para sempre. Você acha que pode passar a Páscoa de todos os próximos anos sem comer nenhum chocolate? Ou será que vai manter-se magro se comer 4 ovos de chocolate por ano? A grande dica é o equilíbrio, afinal "a privação gera compulsão". 
Presenteie-se com algo que você adore, de até 400 gramas. É algo tranquilo de se cumprir toda Páscoa, certo? 

2- Melhor ainda: você pode dividir o ovo em pequenos pedaços e curtir este presentinho por mais meses. As melhores opções são comr pequenos pedacinhos depois de um almoço rico em fibras (folhas e vegetais) e proteínas magras ou antes de ir para a academia. Se for um ovo recheado, divida em partes e congele. A duração aumenta para 3 meses. 

3- Nada de comprar ovos light, diet... Compre seu preferido! O objetivo é se satisfazer com seu presente e recompensar seu esforço na dieta. Não adianta comprar um ovo que não mate sua vontade. Ovos diet, por sinal, engordam mais que o normal. São apenas para diabéticos!

4- Na Páscoa é comum as pessoas pensarem que não fazem questão do ovo e se transformarem no "pedinte da Páscoa" risos. Você deve conhecer algum. É aquele membro da família que diz não fazer questão de chocolates e não compra nada para não engordar. Passa a Páscoa toda pedindo um pedaço para o filho, marido, outro para os pais... Muitas vezes é o que mais come, mas nunca se sacia, pois sempre tem a sensação de que não comeu a quantidade que queria, nem seu sabor favorito. Lembre-se da importância de dar a si ou aos seus filhos o ovo de sabor preferido.

5- Doe os ovos excedentes. Não tenha apego, na prática você não conseguirá se controlar e o excesso será prejudicial à saúde e à forma física. O conselho é especialmente válido para crianças, que ganham diversos ovos: dos pais, amiguinhos, tios, padrinhos... Combine com os mais próximos que presentearão com algo diferente de chocolate. Os outros, doe. Muitas pessoas não tem dinheiro para comprar ovos no nosso país. Você pode doar para a faxineira, porteiro, secretária ou para uma campanha. É excelente estimular este lado, especialmente nas crianças, pois é muito importante aprender sobre a caridade desde cedo.

6- Para as refeições de Páscoa, a palavra chave é priorizar. Qual sua refeição preferida? Na sexta-feira da Paixão , um bacalhau? O almoço de domingo? Escolha uma das refeições de Páscoa e coma tranquilamente. Na outra, procure priorizar a proteína (carne, peixe ou frango) servida com uma salada grande. O importante aqui é não mergulhar num feriado gastronômico, regado à bacalhau no azeite na sexta, churrasco no sábado, pizza, almoço de domingo, chocolate e muiita cerveja, certo? Da própria refeição disponível em casa, você pode montar uma versão mais light no seu prato.

E nada de passar a semana toda comendo as sobras, hein? Divida com os parentes, congele...


Boa Páscoa e aproveite para curtir este lindo sol!


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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Para acabar com a polêmica sobre o óleo de coco


POSICIONAMENTO OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NUTROLOGIA A RESPEITO DA PRESCRIÇÃO DE ÓLEO DE COCO



Obtido a partir da polpa do coco fresco maduro (espécie Cocos nucifera L.), o óleo de coco é composto por ácidos graxos saturados (mais de 80%) e ácidos graxos insaturados (oléico e linoléico). Os ácidos graxos saturados caprílico, láurico e mirístico possuem entre 6 e 12 átomos de carbono e por isso são chamados de ácidos graxos de cadeia média. Os demais ácidos graxos saturados são capróico, cáprico, palmítico e esteárico. As gorduras láuricas, como o óleo de coco, são resistentes à oxidação não enzimática e, ao contrário de outros óleos e gorduras, apresentam temperatura de fusão baixa e bem definida. Em virtude de suas propriedades físicas e resistência à oxidação, o óleo de coco é muito empregado no preparo de gorduras especiais para confeitaria, sorvetes, margarinas e substitutos de manteiga de cacau [1, 2].
Considerando-se que o óleo de coco tem sido divulgado, especialmente na imprensa leiga, como integrante de uma dieta preventiva para doenças crônicas, como quadros neuro-degenerativos, obesidade e dislipidemia, bem como para outras funções tais como imunomodulação e tratamento antimicrobiano, a Associação Brasileira de Nutrologia considera que deve se posicionar sobre o assunto:
  1. Quando o óleo de coco é comparado a óleos vegetais menos ricos em ácido graxo saturado, recente revisão mostrou que ele aumenta o colesterol total (particularmente o LDL-colesterol) o que contribui para um maior risco cardiovascular [3].
  1. Tem sido reportado que o óleo de coco possui atividade antibacteriana, antifúngica, antiviral e imunomoduladora, porém tais estudos são predominantemente experimentais, notadamente in vitro, não havendo estudos clínicos demonstrando esse efeito. Assim, faltam ainda evidências suficientes para recomendar o óleo de coco como agente antimicrobiano ou imunomodulador [4].
  1. Até o momento, não existem estudos clínicos que tenham abordado o efeito de óleo de coco na função cerebral de indivíduos saudáveis ou portadores de alteração cognitiva [5]. Enfatiza-se também que não existem evidências clínicas de que o óleo de coco possa proteger ou atenuar doenças neuro-degenerativas, como a doença de Alzheimer [6].
  1. Um número muito pequeno de estudos, com resultados controversos, tem relatado os efeitos do óleo de coco sobre o peso corporal em seres humanos. Estudo observacional de populações de ilhas do Pacífico consumindo grandes quantidades de cocos revelou que os Tokelauanos, que consumiam quantidades mais elevadas de coco (63% de energia derivada do coco versus 34% na dieta de Pukapukan), eram mais pesados e tinham pregas de pele subescapulares maiores [7]. Em um ensaio controlado randomizado, 40 mulheres (20-40 anos) foram instruídas a consumir diariamente 30 mL de óleo de coco ou de soja (placebo) por 12 semanas. Os grupos também foram instruídos a caminhar por 50 minutos por dia e a seguir um padrão alimentar saudável, e ambos os grupos consumiram aproximadamente 10% menos calorias do que no início. Apenas o grupo de óleo de coco apresentou circunferência de cintura reduzida no final do estudo (redução de 1,4 cm) e uma tendência ao aumento de insulina circulante. Embora os autores tenham usado recordatório alimentar de 24 horas no início e no final do período de estudo, as quantidades exatas de óleo de coco consumido pelos indivíduos não foram precisadas [8]. Examinando pequena amostra (13 mulheres e 7 homens) com 24-51 anos e índice de massa corporal médio de 32,5 kg/m2, prévio estudo (sem grupo controle) mostrou que o consumo de óleo de coco virgem (30 mL/dia/4 semanas) foi associado a redução da circunferência da cintura (2,61 ± 2,17 cm) em indivíduos do sexo masculino [9]. Examinando o efeito na saciedade, pequeno estudo (n=18) mostrou que não existe efeito de uma refeição rica em ácidos graxos de óleo de coco sobre o apetite ou ingestão alimentar [10]. No geral, não existem evidências suficientes para concluir que o consumo de óleo de coco leva à redução de adiposidade.
Sendo assim, considerando-se inclusive a robusta associação entre consumo de ácidos graxos saturados e o risco de doenças cardiovasculares e a ausência de grandes estudos bem controlados relativos ao óleo de coco em humanos,
a ABRAN recomenda que:
  1. o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento da obesidade;
  2. o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento de doenças neuro-degenerativas;
  3. o óleo de coco não deve ser prescrito como nutriente antimicrobiano;
  4. o óleo de coco não deve ser prescrito como imunomodulador.

Associação Brasileira de Nutrologia

[1] Martins JSSantos JCO. Estudo comparativo das propriedades de óleo de coco obtido pelos processos industrial e artesanal. Blucher Chemistry Proceedings vol 3, 2015.
[2] Marina AM, Che Man YB, Nazimah SAH, Amin I. Chemical Properties of Virgin Coconut Oil. J Am Oil Chem Soc 86:301–7, 2009.
[3] Eyres L, Eyres MF, Chisholm A, Brown RC. Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans. Nutr Rev 74(4):267-80, 2016
[4] DebMandal M, Mandal S. Coconut (Cocos nucifera L.: Arecaceae): in health
promotion and disease prevention. Asian Pac J Trop Med 4(3):241-7, 2011.
[5] Lockyer, S, Stanner S. Coconut oil–a nutty idea?. Nutrition Bulletin, 41(1), 42-54, 2016
[6] Fernando WMADB, Martins IJ, Goozee KG, Brennan CS, Jayasena V, Martins RN. The role of dietary coconut for the prevention and treatment of Alzheimer’s disease: potential mechanisms of action. Br J Nutr, 114(1), 1-14, 2015.
[7] Prior IA, Davidson F, Salmond CE, Czochanska Z. Cholesterol, coconuts, and diet on Polynesian atolls: a natural experiment: the Pukapuka and Tokelau island studies. Am J Clin Nutr, 34(8), 1552-61, 1981.
[8] Assunção ML, Ferreira HS, Santos EAF, Cabral Jr R, Florêncio MMT. Effects of dietary coconut oil on the biochemical and anthropometric profiles of women presenting abdominal obesity. Lipids, 44:593–601, 2009
[9] Liau KM, Lee YY, Chen CK, Rasool AHG. An open-label pilot study to assess the efficacy and safety of virgin coconut oil in reducing visceral adiposity. ISRN Pharmacology, doi:10.5402/2011/949686, 2011.
[10] Poppitt SD, Strik CM, MacGibbon AKH, McArdle BH, Budgett SC, McGill AT. Fatty acid chain length, postprandial satiety and food intake in lean men. Physiol Behav, 101:161–7, 2010.